Whiplash – Nos Limites

Boa Noite meus senhores, estreamos finalmente a nossa categoria de 9/10.
Aparentemente tinha os comentários indisponíveis (pelo que peço imensa desculpa) e chegaram-me algumas mensagens com críticas relevantes sendo uma delas “O que é o meu 10/10?
Com base nisto escolhi fazer hoje uma crítica a um dos filmes que considero um dos melhores presentes nestes Óscares de 2015.

Porquê?
Simples. Porque alcança.
O tipo de falhas que se pode apontar neste filme é do género “Ah a miúda do Miles Teller tem cara de enjoada”. O que nem sequer é uma crítica construtiva!

Por falar em Miles Teller, comecemos por ele.
Estão a ver a Anna Kendrick? Que passou de ser a amiga pirosa da Kristen Stewart no Crepúsculo para fazer uns 4/5 filmes por ano ? Miles Teller é a versão masculina da Anna Kendrick… De um momento para o outro ficou “Na Berra”.
Ele é comédias românticas, dramas adolescentes, e agora ele é o actor principal de um Granda Filme.

Deste lado temos pena de não ter sido reconhecido como um grande actor por nenhum dos principais prémios. Não seria uma vitória, mas seria simpático para incentivar o jovem.
A sua personagem é Andrew (sem necessidade de apelido), um jovem baterista talentoso que ambiciona a excelência e que é reconhecido pelo seu potencial por Fletcher (também sem apelido ou nome) que nos é apresentado como Maestro Top no mundo do Jazz.
E o Andrew entra na banda de Jazz do Fletcher para se tornar um Homem. Leva porrada física, leva porrada psicológica, pira do juízinho e termina o filme em grande a sair por cima, tanto que chega às estrelas.
Este filme ganhava só com a prestação do Miles Teller na parte da porrada psicológica. Há estaladas na cara, bolhas que sangram das mãos, cadeiras que voam… E mesmo assim o que brilha é ver o desenvolvimento psicológico da personagem de Andrew. Contar muito mais é spoilar o filme.

Do outro lado da moeda está Fletcher, quem dá a porrada (ambas).
É um sacana. Não há uma maneira simpática de colocar esta questão.
É J. K. Simmons quem dá a vida a Fletcher. E sem rodeios, é J. K. Simmons quem vai levar o Óscar de Melhor Actor num Papel Secundário. O que é um promenor engraçado, Simmons é tão actor secundário como Carell em Foxcatcher… Gostava de conseguir encontrar os parâmetros de escolha para actor principal e secundário.

Vou então utilizar o Foxcatcher para poder fazer uma das possíveiss justificações quanto ao 9/10. Recordo que no Foxcatcher houve uma certa confusão e falha da parte da compreensão no que tocou aos motivos por detrás quer da dependência do abusado como à necessidade de poder do abusador. Numa história surpreendentemente semelhante quanto a abuso psicológico e à relação mentor/mentorando Whiplash dá aquele pulinho que faltou ao outro filme.
O abuso psicológico está patente e completamente às claras; mas desenvolve-se naturalmente, com espaço para o crescimento das personagens e com uma sequência de eventos lógica.
Como num bom filme, há um massacre mas segue-se uma vitória e uma redenção.

É uma emoção do início ao fim. A opinião do espectador acerca das personagens oscila com frequência. O ritmo do filme é entusiasmante e prende a atenção. A música… Quase não consigo explicar a música. Em termos de edição de som e banda sonora melhor ou equiparável penso que só o Interstelar.

A única razão pela qual não vos direcciono para o cinema neste momento é mesmo o facto de não estar em exibição.

Trailler Legendado: 


Link IMDB: www.imdb.com/title/tt2582802/?ref_=nv_sr_1
Pontuação d’Ela: 9/10

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A Teoria de Tudo

Este filme é absolutamente amoroso.
Principalmente porque Eddie Redmayne e Felicity Jones são duas pessoas muito mimosas e fizeram um óptimo trabalho a retratar Stephen e Jane Hawking; mas também porque o argumento se foca no primeiro casamento do cientista excluindo a época de desgaste e do seu segundo casamento.

Esta escolha foi feita por respeito ao próprio Stephen Hawking que sempre insistiu em negar as polémicas associadas ao seu segundo casamento e que criou discórdia entre o mesmo e os filhos e Jane.

Acompanhamos Stephen e Jane a apaixonarem-se e em simultâneo a aprenderem a lidar com a progressão da doença incapacitante de Stephen. É uma viagem que nos faz admirar a determinação de ferro que foi necessária para desafiar um diagnóstico de poucos anos e transformar uma vida limitada num sucesso médico e de realização pessoal.

E das maravilhas que Eddie Redmayne faz a desempenhar este papel já todos ouvimos falar. Realmente não há muito a acrescentar. É um papel brilhante.
Está garantido que a juntar aos vários prémios que já ganhou esta temporada vai juntar um Óscar.

O mesmo não se pode dizer de Felicity Jones. Não pelo facto de fazer um papel muito inferior mas porque como referimo o Óscar de Melhor Actriz vai direitinho para Julianne Moore. E caso não fosse o caso, haveria ainda Reese Witherspoon… O que é conversa para outras críticas.
Mas independentemente de prémios, o papel de Jane Hawking está muito bem representado. Tanto que atrever-me-ia a dizer que a distribuição do foco do filme está ligeiramente desequilibrada a tender para esta personagem feminina.

Foram feitas poucas referências, de todas as críticas que li, a um ponto que considero que é bastante importante: reconhecer à actriz a capacidade de transmitir o sofrimento que deve ter sido abrir mão dos próprios sonhos e pôr a vida em espera  sem se tornar uma mártir ou egoísta.
O ar angelical e compreensivo de Felicity faz-nos ter quase mais pena de Jane do que de Stephen. Sentindo uma enorme admiração por alguém que consegue sujeitar-se a depender totalmente de alguém sendo tão genial, é impossível não admirar também alguém que tem uma determinação tão grande em realizar os sonhos daquele que ama.

É nesta óptica que a personagem de Jane rouba o protagonismo de Stephen Hawking. Ver uma referência explícita de que as descobertas científicas são maioritariamente trabalho duro e de equipa é refrescante.

Estranho é ver também semi explícito o acordo que a Jane e o Stephen fizeram acerca dela encontrar alguém que pudesse fazer a transição natural e preencher o papel dele quando morresse. Sim, é um ponto de conhecimento público e não é apresentado como uma vergonha no filme, mas é um conceito bastante estranho.

Essa personagem inspira zero empatia. É um intruso numa relação que passamos cerca de uma hora a conhecer e admirar; entra em cena para precipitar algo que sabemos de antemão que vai acontecer. De alguma forma somos presos ao ecrã e tornamo-nos apoiantes das personagens principais de tal forma que criamos asco a Jonhatan (o músico que se torna companheiro de Jane) e Elaine (a enfermeira de Stephen).

A história não é brilhante. Inspiradora, mas um pouco básica. Apesar de ser um filme bastante interessante e com óptimas prestações e uma entrega nada menos que perfeita da parte de Eddie Redmayne não vou achar justo se houver um Óscar para melhor argumento adaptado.
Quanto a filme do Ano, há todo um Boyhood que levou 10 anos a fazer.

Se é um filme para se ir ver ao cinema? Não vou dizer que é um filme com uma imagem de tirar a respiração, mas certamente que vão querer saber daquilo de que todos andaram a falar.
A quem vir o filme… Digam-me se vêem o momento Mente Brilhante no início… É um miminho para os conhecedores de cinema!

Trailler Legendado

Link IMDB: www.imdb.com/title/tt2980516/?ref_=nv_sr_2
Pontuação d’Ela: 8/10

Foxcatcher – Uma História que chocou o Mundo

Não gostei. Mas mesmo nada.
Em parte porque senti uma ligeira desilusão quanto ao traumatismo implícito no trailler – apesar de cair na categoria de Drama Psicológico não tem metade do desenvolvimento Psicológico que eu esperava; por outro lado essa falha deriva provavelmente da falta de desenvolvimento, ponto.

Senti uma necessidade enorme de pesquisar a história que inspirou o filme e cheguei à conclusão de que está tudo muito mal contado.

Ora a história foca-se em dois irmãos lutadores que são campeões olímpicos. Do nada um milionário excênctrico, Jonh E. Du Pont (Steve Carell), com claros problemas mentais decide interessar-se na Luta Livre e investir num dos irmãos, o Mark Schultz (Channing Tatum). A falta de explicação do porquê até nem é o maior dos problemas.
Claramente Du Pont é um homem com uma necessidade imensa de idolatração e de aprovação, não se importando de gastar dinheiro para comprar algo ou alguém que complete essas falhas.
Já Mark Schultz é a personificação de um trogolodita: fala pouco, é bruto, invertido, vive à sombra do irmão mais velho e tem a aparência de um Neandertal; à primeira vista é o tipo de pessoa que Salta quando lhe dizem para saltar.

Não me posso queixar de unidimensionalidade neste aspecto.

As personagens desenvolvem-se e Mark deixa de ser um simples trogolodita. Compreendemos que é o fruto de uma educação pobre em afectos e intelecto, mas isso não altera o facto de ser uma personagem que tem dificuldade em exprimir-se que se tenta evidenciar e deixar a sua marca com a única coisa que parece saber fazer – Luta Livre – reforçando a sua brutalidade aparente.

Du Pont vai-se revelando um sério caso de outro tipo de alteração mental. Força todos à sua volta a um amor ao próprio de uma maneira doentia. A dada altura vemos mesmo que financia um torneio de Luta Livre onde participa e (surpresa) ganha. A ideia de que foi uma luta encenada não está implícita, é explicitada multiplamente : primeiro na falta de resistência do adversário, na maneira gozona como a equipa o saúda, e finalmente nas palavras da própria mãezinha Du Pont “Foi financiado por ti?”.
Claro que isto não o  desmotiva.
Este homem revela-se uma tentativa frustada de trendsetter : faz campanhas de auto-propaganda, força a ideia de que é a “Águia Dourada”, financia a equipa de Luta Livre Norte Americana para colectar os troféus da mesma e recolher os louros de um treino que não é ele que faz. O filme reforça o ridículo que foi a vida de Du Pont. Só não desenvolve as razões do porquê.

Jonh que desenvolveu (naquilo que nos é apresentado como “do nada”) um interesse profundo pela Luta Livre a dada altura estraga as perspectivas do Talento que escolheu – Mark – e recorre ao irmão – Dave Schultz (Mark Ruffalo) – para garantir que continua a ter hipóteses de retorno de vitória nos Jogos Olímpicos.

Dave não é uma personagem introduzida a meio do filme. No entanto até ao momento de quebra do irmão não há um envolvimento muito grande desta personagem. Ele passa de ser retratado como o Mal dos problemas de Mark para a ser a Salvação de Dave quando o Mal passa a ser Du Pont.
E este Dave é também ele uma personagem que tentando garantir o sucesso do irmão se mostra extremamente egoísta e sem problemas em “vender a alma ao Diabo” por dinheiro.

A formação da equipa FoxCatcher parece ser uma completa invenção no momento. Para contrariar a mãezinha que não acredita nas suas capacidades, Du Pont cria um centro de treinos para a equipa de Luta Livre dos USA e esconde-se na permissa “Estou a salvar a América”… Do quê não compreendo bem.

O foco do argumento é a equipa Foxcatcher e  relação probemática entre Jonh Du Pont e Mark Schultz. Pessoalmente não gostando de argumentos em que a psicologia está “mastigada” gosto de perceber o que se passa; não foi o caso. Teria sido bastante mais interessante abordar o assunto doutra perspectiva.

No entanto este tipo de abordagem é típica deste Realizador. Posso ver algumas nuances de semelhança com Capote, apesar de o último ser bastante melhor conseguido.

Apesar de tudo consigo encaixar este filme na categoria dos 8/10. Aquilo que a mim não me convence acaba por ser uma interpretação pessoal, não há falhas de maior da parte técnica. Penso que o facto de ainda não ter colectado prémios prova que há algo neste filme que o prende a Bom, não o deixando chegar a Brilhante.

O filme foi nomeado para os mais variados prémios principalmente pelas prestações de actor principal (Steve Carell) e secundário (Mark Rufallo); neste aspecto há que reconhecer que efectivamente há uma metamorfose brutal dos três actores envolvidos – começando no trabalho fantástico de caracterização, esta mudança de personagem evidencia o imenso investimento e o quão multifacetados são Channing Tatum, Mark Rufallo e Steve Carell.

Recomendo. Mais que não seja para ver se alguém me explica o que me falhou…

Trailler Legendado:

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1100089/?ref_=nv_sr_1
Pontuação d’Ela: 8/10

Estreia: Still Alice – O meu nome é Alice

E neste ciclo de críticas direccionado aos Óscares vamos começar com muita classe, primeiro as Grandes Senhoras.

Sim. Não é à toa que Julianne Moore ganhou um BAFTA e um Globo de Ouro com a sua interpretação de Alice Howland.
Podemos avaliar esta prestação de dois ângulos: o da quantidade e o da qualidade. Palmas a Julianne por desempenhar múltiplas personagens (eu contei 3 mas são certamente mais) e por serem todas absolutamente soberbas.

Começamos por ser perfeitamente encantados com a Alice #1 : Super Mulher. Ela é casada com o Alec Baldiwn! (o que me apercebi que é algo que faz inveja a outras mulheres de 50 anos). Ela tem três filhos crescidos : uma advogada, um médico e uma actriz  (que acaba por ser uma trindade perfeita que cobre os interesses pessoais legais e médicos ao mesmo tempo que demonstra apoio e sensibilidade para as artes). Ela tem uma carreira de Sucesso (que vá lá, quem não está invejoso disto…). E Ela é uma foxy lady…

Neste ponto não há como não estar a torcer pela Alice.
Depois ela tem Alzheimer.
O que vendo o trailler não é surpresa nenhuma.
E que é possívelmente uma das perspectivas mais aterrorizadoras de sempre para qualquer ser humano que preze a sua capacidade cognitiva.  Que é o caso.

E a Alice #1 ataca este problema com imensa classe. Toda ela é preparativos e precauções. Com o que ela não conta é que vai passar a ser a Alice #2.

A Alice #2 já é menos perfeita. Mas muito mais frágil e sempre a ser apanhada de surpresa direcciona-nos subtilmente a um ponto de mestria da realização: o acompanhamento da progressão da doença. Que é rápida! E nos consegue apanhar completamente de surpresa tal como provavelmente a alguém com Alzheimer.
Há uma cena muito específica neste ponto. A Alice passa uma noite a endoidecer à procura do seu telefone. E o marido eventualmente acorda e leva-la destroçada e lacrimejante para a cama. A cena seguinte é com o marido e a filha na cozinha e o telefone aparece no frigorifico. Pimbas tinha passado um mês!

Esta é uma Alice que apesar de ter começado a perder as suas memórias se revela extremamente inteligente ainda, o recurso às tecnologias modernas e a artimanhas para contrariar a falta de memória é criativo e prende o espectador ao facto de que efectivamente não há absolutamente nada que trave o inevitável.

Empatizamos fortemente com a Alice #3. Quase não há palavras para descrever esta versão. É apenas demasiado triste chegar à última cena do filme. Perceber que gradualmente um modelo de Mulher se torna numa Criança que passa os dias a não perceber nada do que se passa à sua volta e a condicionar a vida de quem a rodeia. Esta Alice dá-nos uma visão daquilo que deve ser efectivamente ter Alzheimer.

Em todos os ângulos e perspectivas explorados pelo cinema e pelas séries não consigo apurar um que explore tão especificamente o foco do doente. Sem descreditar quem rodeia um doente de Alzheimer, há demasiados filmes sobre o sofrimento e dedicação necessários aos que acompanham esta realidade. Pessoalmente associo o Alzheimer a uma morte.

Imagino que seja como ver alguém que amamos a morrer em frente aos nossos olhos sem ter algo que possamos fazer. A diferença é que o processo de luto é a maior barbaridade possível. Não há uma campa onde pôr flores, há a pessoa a olhar para nós sem existir. Mas a verdade é que enquanto que na morte física a pessoa já foi e quem sofre é quem fica, na morte intelectual o processo termina numa semi-existência de não se saber quem é ou o que estamos aqui a fazer – um Limbo interminável aos olhos de quem o vive.
Este ponto é perfeitamente bem explorado neste filme.

A personagem principal tem uma progressão de envolvimento com o espectador por impulsos, quase que parece que não há um desenvolvimento contínuo. As personagens secundárias dividem-se  frequentemente para permitir a compreensão de determinadas posições polémicas. Tratar a Pessoa como um inválido ou não? Fazer despedidas? Virar a vida do avesso para cuidar da Pessoa? O que põem a pensar.

E depois há a Kristen Stewart. Que até passaria por uma representação brilhante e profunda. Sim. Caso fosse o primeiro filme dela que víssemos. Caso não seja, este desempenho cai na Kristen Unidimensional: sofredora com ocasionais gagejos estratégicos. O que para mim não dá.

O que quase também não dá é Alec Baldwin sério. Talvez seja porque este actor escolheu fazer zero papéis sérios ou profundos nos últimos dez anos. E denota-se alguma falta de prática, uma certa falta de à vontade com a intensidade necessária. Não sendo péssimo, não é óptimo.

Efectivamente este é filme é de Julianne Moore com um toque de engenho na produção e na realização para fazer brilhar a mesma. É uma prestação multidimensional com imensas perspectivas de interpretação em que a única que está garantida é a de ficar agarrado do primeiro ao último minuto.

Como é lógico esta é a nossa aposta para Melhor Actriz Principal.

Trailler Legendado

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt3316960/?ref_=fn_al_tt_1
Pontuação d’Ela: 8,5/10

E uma série de Críticas a preparar para os Óscares

Agradeço tanto a todos o apoio que tenho recebido ultimamente.
Quando comecei este blogue estava longe de pensar que levaria tão pouco tempo a ser Lida. Preparei-me mentalmente para não ter qualquer tipo de feedback durante meses, como alertada por outros bloggers ao longo dos anos.
Mas receber as mensagens e ver os Likes é toda outra dimensão.

E graças à recente visibilidade alcançada no facebook e mesmo no Blogue tenho imenso prazer em anunciar que passámos ao estágio seguinte: somos um blogue que recebe convites para estreias! Próximo passo? Espero muito sinceramente poder começar a retribuir o vosso apoio e ter possibilidade de vos começar a oferecer bilhetes a vocês!

Por agora quero apenas partilhar com vocês tudo o que tenho visto e principalmente o meu entusiasmo em relação a dia 22 de Fevereiro. Vêm aí os Óscares!
Cautelosamente esperei por ver a maior parte dos filmes nomeados antes de começar a fazer posts com opiniões definidas.

Lançarei então nos próximos dias uma série de posts para vos ajudar a opinar.
Toda a gente sabe que falar de vestidos dura dois dias, falar sobre os filmes em si dura uma semana.

Até já

Ante-Estreia : O Jogo da Imitação

Esta crítica vai começar e acabar com um incentivo directo para irem ver o filme.
Vão ao cinema ver o filme!

Considero que a minha maneira de criticar coisas se compara aos traillers Honestos que se encontram no Youtube : sem tretas, directos e descomplicados. O que muitas vezes equivale a ser do contra. Mas não desta vez.
Porque a verdade é que é impossível não gostar do filme.

Comecemos pelo ponto mais simples e essencial do filme : Benedict Cumberbatch.
Não sou fã. E por isso mesmo sei que está de topo. Há qualquer coisa no seu desempenho sempre triste e introvertido que me põe em dúvida quanto a estar a representar ou a ter sempre papéis adequados à sua personalidade. No entanto tenho de dar o braço a torcer que dentro do mesmo tipo de personagem a sua versão de Alan Touring é perturbante.
No bom sentido. No sentido em que se sai da sala com uma enorme revolta em relação à vida sofrida daquele Génio. A sensação que tive foi de que Benedict Cumberbatch ia desfazer-se em lágrimas a qualquer momento, como se fosse doloroso meter-se na pele de Alan Touring, transmitindo na perfeição a luta interior e com o exterior que o mesmo teve durante a sua vida.

Pensando em prémios neste aspecto, temos este ano o mesmo problema de sempre : um desempenho muito forte, mas que muito provavelmente não irá vencer porque alguém escolheu ser igualmente forte mas utilizando a cartada que mexe com as emoções o pessoal (sim, estou a falar de Eddie Radmayne com a Teoria de Tudo – sendo a cartada desempenhar alguém com uma vida fora de série – e que estreia em duas semanas).

E basicamente tudo neste filme serve para fazer brilhar Alan Touring (o que é bastante compreensível visto que nenhum dos prémios, perdões póstumos ou homenagens que compensem a vida de sofrimento infligido pela sociedade):

O enredo tem o mínimo de reviravoltas necessárias para prender a atenção do público.

O humor é feito à custa não de piadas forçadas mas da inadaptação da personagem principal à dita normalidade – o que ajuda o público a ganhar gradualmente a percepção da inadaptação social do mesmo.

No entanto a contextualização histórica fica um pouco a desejar. É refrescante ver um filme sobre a 2ª Guerra que não encaixe em: Filme que condena os Alemães ou Filme que redime a sociedade Alemã. Não havendo grandes possibilidades de fazer cenas sobre a Guerra em si, sendo o enredo sobre a estratégia e não sobre a acção, havia certamente possibilidade de introduzir a ideia sem ser com os muito batidos flashes a preto e branco filmados na época.

O que penso que também fica a desejar um pouco é a explicação da criptografia envolvida na história. Certo, o filme não é sobre criptografia. Errado, a criptografia tem muito interesse para o enredo. Pessoalmente sabia de antemão o funcionamento do Enigma e vi o Código Da Vinci, no entanto não me espantaria com muita confusão a derivar desse ponto.

Das restantes personagens fica apenas a seguinte nota : a Keira Knightley está a surpreendentemente velha, o Tywin Lannister não sabe não fazer papel de mau. Parece ser uma opinião redutora no entanto não consigo avaliar nada de extraordinariamente bom ou mau; possivelmente porque ninguém consegue brilhar para além de Benedict Cumberbatch.
E sim, eu sei que houve quem dissesse que foi um dos melhores desempenhos da vida de Keira Knightley. A essas pessoas eu mando ir ver mais filmes dela.

Em termos biográficos descansem as preocupações, ninguém tomou as liberdades de autor sugeridas pelo trailler…

Deixo para último o aspecto que me pareceu ser o mais refrescante do filme:  a Realização.
É possivelmente dos filmes mais íntimos que vi desde há muito tempo. Há uma verdadeira ligação que se estabelece entre o espectador e a tela e por muito que Benedict Cumberbatch faça esta vitória vai para a realização. Recorrendo ao cliché de ter um diálogo com o público, a conversa estabelecida é longe de previsível.

O mote do filme é “Por vezes as pessoas de quem  menos se espera aquelas que fazem aquilo que ninguém espera”.
A verdade é que tendo expectativas se consegue ser surpreendido. São duas horas interessantes que realmente nos prendem e nos põem a pensar até naquilo que não é um foco principal na história.

Não sendo uma obra prima em termos de imagem, eu compreendo a relutância em comprar um bilhete para ir ao cinema ver aquilo que se pode ver em cada, mas asseguro que vão querer saber daquilo que toda a gente vai estar a falar!

Trailler Legendado:

Link IMDB : http://www.imdb.com/title/tt2084970/?ref_=nv_sr_1
Pontuação d’Ela : 8.5/10

Ante-Estreia : Birdman

Recebi bilhetes para ir à ante-estreia daquilo a que eu chamo um  “Filme Indiewood”.
Que é como quem diz aqueles filmes que passam por muito Indies e underground mas que em vez de nos encantarem no Doc Lisboa vêm  para os grandes cinemas e que usam actores conhecidos em vez de talentos em bruto que ninguém conhece. O que  na realidade é óptimo. Ninguém é mais existencialista por ser mais mal pago e nenhum filme é mais profundo só porque é assistido numa cadeira bafienta por um individuo com óculos de massa e camisas com padrões foleiraços.

Boa palavra : Foleiraço. Ainda assim não suficiente para descrever o desgosto que foi passar cerca de 1h40 a assistir à crise de meia idade do Michael Keaton.

Um actor que está a começar a ficar apanhadinho do clima por sentir que está a ficar ultrapassado e que não deixou nenhuma marca no mundo para além do franchise de um super-herói. Soa familiar?
A mim soou. Mas isso sou eu para quem o Batman é o Michael Keaton e não o Christian Bale. Apesar de ter feito uma miríade de filmes belíssimos desde então é impossível evitar a conexão imediata da personagem com uma crise existencialista com o actor em si. E que crise. Eu diria que a única pessoa que me convenceu que estava tão maluquinha como o Batman a fazer de Birdman foi a Cate Blanchett no Blue Jasmine.

Então se não é a performance da personagem principal qual é o problema do filme? O resto do elenco?
Pois, também não. Não atribuiria a ninguém o papel da sua vida neste filme, mas não posso também acusar alguém de desiludir o público em relação à sua usual prestação. Excepto o Zach. Não estava à espera de um papel sério da parte de Zach Galifianakis. Atrever-me-ei a dizer que apenas 20% das risadas são provocadas pelo mesmo. Quão assustador é isto?

Posta de lado falha por parte do elenco restam então 2 opções : Direcção/Realização e Enredo.

Sou uma pessoa que não sabe gravar uma festa de anos com o telemóvel. Não é por isso que me curvo a qualquer pessoa que enquadre uma cena sem cortar cabeças.
No entanto há que fazer uma vénia a quem teve a ideia e a capacidade de concretizar um filme gravado em “quase” um take ininterrupto. Sim. A câmara pisca umas 2/3 vezes durante o filme todo. Como? Também perdi umas boas 2h a pensar nisso. O meu dinheiro vai para: os homens das câmaras eram muito hábeis, os actores muito bons e gravaram tudo num dia.

E chegamos àquilo que vai me fez revirar o tempo todo na cadeira a pensar “Já acabou?” e que vai provocar ejaculações precoces mentais por todas as pessoas mega artísticas : o Enredo.
Quando vemos um filme há duas opções : Identificar ou Fantasiar com o que roda diante dos nossos olhos. Para 50% das pessoas que vêem este filme a opção é: Nenhuma das Acima.
Tirando as almas artísticas não há quem se consiga identificar com o que se passa neste filme. E decerto ninguém fantasia em ser maluquinho, impotente, uma drogada em recuperação ou uma mulher sem amor próprio. E pensam vocês: Se te puseres para além da permissa inicial (a de ser um artista) qualquer pessoa pode ter os problemas apresentados.
Concordo, mas na sua essência este filme acaba por não ser acerca dos problemas transversais a todos mas antes à insegurança e existencialismo da classe artística. Tenta declaradamente demonstrar o investimento e entrega desmesurada dos actores – mental, física, monetária –  na sua tentativa de deixar uma marca sem ter consideração para com o facto de que nem todos temos uma casa para empenhar em troco dos nossos sonhos.
E eu até teria conseguido ultrapassar este ponto. Juro que sim. Se o final tivesse sido digno do enredo. Queres correr uma maratona? Boa para ti. Não desistas a meio. Queriam fazer este tipo de filme não o terminassem como a um conto de fadas. Ou se o fizessem que fosse do tipo irónico.

Querem sentir-se parte da massa hipster com sonhos artísticos frustados? Vão ver este filme e digam que adoraram. Levem os vossos amigos que andam no teatro e eles vão agradecer.
Nesta linha eu aconselho quem quiser a começar a por uns dinheirinhos de lado para as apostas dos Óscares. Este deve de lá estar.

Pessoalmente agradeço não ter gasto dinheiro.

Edição
Sem surpreender ninguém este filme colectou 9 nomeações para os Óscares. Eu aposto em não receber nenhum nas categorias principais:
Continuo firme em dizer que Michael Keaton não está a fazer o papel da vidinha dele.
Ter uma erecção enorme é impressionante, mas daí até dar um Óscar a Edward Norton vai um esticão.
Emma Stone está milhões de anos abaixo da sua perfomance habitual e honestamente só consigo entender esta nomeação como uma avaliação ao corpo de trabalho.
E finalmente, quanto a melhor Filme… Ah. Ahah. Se isto acontecer eu jogo no Euromilhões.
O que aqui tem uma boa hipótese de ganhar é a Direcção! Lembram-se de eu ter referido a sequência longa e ininterrupta de cenas. E lembram-se da cena inicial do Gravidade? Ah pois é… Tudo “culpa” do senhor Alejandro González Iñárritu. Uma vénia.

Trailler Legendado:

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt2562232/
Pontuação d’Ela: 8/10