Gone Girl – Em Parte Incerta

Apesar da mestria da adaptação do argumento e direcção temos o Gone Girl com apenas uma nomeação para os Óscares com a Rosamund Pike na categoria de Melhor Actriz Principal (tal como nos Globos de Ouro e nos BAFTA).

Há todo o tipo de informação a flutuar na internet acerca deste filme. Posso dizer que sabia à partida informação que poderia ter estragado a minha experiência.
Só que não dava. Porque é Fincher.
Ah personagem principal é maluca  – Fincher
Há éne reviravoltas  – Classical Fincher
E podíamos estar aqui horas.
Mas temos ambos mais que fazer.

Vamos directos ao ponto chave: Este filme é interessante do princípio ao fim.

Tem um enredo com o mínimo de previsibilidade que nos deixa confortáveis para BAM sermos surpreendidos do nada com reviravoltas brilhantes.
É uma adaptação engenhosa de um Romance que curiosamente ainda é mais interessante (se é possível a doida ainda é mais genial no livro).
Tem uma representação surpreendentemente boa da parte de Rosamund Pike.
Ben Affleck faz de toino como em tantos outros papéis.
David Fincher usa aquelas transições lentas e insiste numa imagem clara para descontrair o espectador e prender a atenção a cada mudança de paradigma.

Acompanhamos inicialmente Ben Affleck (Nick Dunne) numa vidinha angustiante e nada como o que ele desejou: tadinho está muito infeliz porque faz anos de casar e a sua mulher gostosa fá-lo sempre sofrer em caças ao tesouro nas quais fica patente que ele é um enorme atrasado mental.
Durante o primeiro terço do filme ficamos com a sensação de que Rosamund Pike (Amy Dunne) é uma infeliz casada com um chauvinista insensível.
O desaparecimento da sua esposa suscita todo o tipo de dúvidas quanto à relação aparentemente perfeita dos dois. Em paralelo a um churrasco público de Nick Dunne, o próprio tenta resolver a caça ao tesouro que a Amy lhe tinha deixado.
E tchanan… Ela é doida.

Aqui entra Rosamund Pike no seu melhor a conduzir o espectador numa montanha russa de sentimentos. É impossível não admirar o engenho por detrás do plano de Amy e Nick… Que eu não vou referir para não estragar a experiência a ninguém.
É também nesta zona do filme que se vêem maiores descrepâncias em relação ao livro de Gillian Flynn : o momento em que ela se solta e dispara num monólogo está suficientemente aproximado do filme, mas não mostra o “let go” drástico que é descrito no mesmo.
Uma mulher jeitosa a beber coca-cola, comer porcaria e a arrotar não é propriamente o ponto que ela tentava explicitar. Suponho que seja o suficiente para chocar a audiência : Oh! Hidratos!? Refrigerantes? Que Loouca…

Admito que é tendencioso da minha parte transmitir a ideia de que o filme é todo sobre ela ser Maluquinha. Mas honestamente o fru-fru que se gerou em volta deste aspecto do filme é perfeitamente justificado, derivando principalmente deste aspecto.

É refrescante ver um filme que não tem medo de retratar um outro ângulo de relações abusivas. Após tantos anos em que a violência nas relações era uma constante, entrou-se numa época em que ninguém se atreve a pôr em causa uma sugestão de violência doméstica.
Havia efectivamente necessidade de chamar a atenção para a exploração que é feita por algumas mulheres desta fragilidade social em proveito próprio. E à medida que o filme foi sendo divulgado surgiram relatos e relatos que indicam que este ângulo até passa por prática comum.
Chego à conclusão de que alguma mulheres pensam que para não serem rebaixadas têm de se elevar por subjugação das outras pessoas. É um bocado uma aplicação errada do “Chama-lhes, chama-lhes antes que te chamem a ti!”

As mulheres merecem respeito. Vindo dos homens. E também vindo das mulheres.
Não se expondo como um filme com interesses equalitaristas, este filme acaba por sê-lo. Por entre um argumento perfeito e uma representação brilhante de Rosamund Pike considero o Gone Girl uma das obras mais importantes para o equalitarismo da actualidade. Há que combater os estereótipos da sociedade patriarcal; mas não será também o momento de combater os estereótipos extremos e desajustados que passam por feminimo?

Vejam o filme. E depois fiquem como eu… A querer contar a história a toda a gente!

Trailler Legendado:

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt2267998/?ref_=fn_al_tt_1
Pontuação d’Ela:8,5/10

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E uma série de Críticas a preparar para os Óscares

Agradeço tanto a todos o apoio que tenho recebido ultimamente.
Quando comecei este blogue estava longe de pensar que levaria tão pouco tempo a ser Lida. Preparei-me mentalmente para não ter qualquer tipo de feedback durante meses, como alertada por outros bloggers ao longo dos anos.
Mas receber as mensagens e ver os Likes é toda outra dimensão.

E graças à recente visibilidade alcançada no facebook e mesmo no Blogue tenho imenso prazer em anunciar que passámos ao estágio seguinte: somos um blogue que recebe convites para estreias! Próximo passo? Espero muito sinceramente poder começar a retribuir o vosso apoio e ter possibilidade de vos começar a oferecer bilhetes a vocês!

Por agora quero apenas partilhar com vocês tudo o que tenho visto e principalmente o meu entusiasmo em relação a dia 22 de Fevereiro. Vêm aí os Óscares!
Cautelosamente esperei por ver a maior parte dos filmes nomeados antes de começar a fazer posts com opiniões definidas.

Lançarei então nos próximos dias uma série de posts para vos ajudar a opinar.
Toda a gente sabe que falar de vestidos dura dois dias, falar sobre os filmes em si dura uma semana.

Até já

Bora lá. Vamos fazer um blog.

São duas da manhã. Está frio e só sabe bem é estar na cama. Há frio mas não há sono.

A conversa desta noite foi blogs. Blogs de críticas. Daquelas que eu passo o dia a distribuir gratuitamente. Daquelas que aparentemente fazem alguns amantes da leitura ganhar livros tão gratuitos como os conselhos que eu ofereço a toda e qualquer pessoa que ouse olhar para mim.

“Eu podia fazer isso” pensei no caminho para casa. Eu, a pessoa que não tem tempo para ir ao ginásio mas que compromete as horas de sono diárias recomendadas para chegar à última página do epílogo. Eu, a pessoa que se escapa uma vez por semana para a Fnac e lê um livro de fio a pavio espremida entre outros dois perfeitos estranhos. Eu.

Peso os prós. Peso os contras. Bora lá. Vamos fazer um blog.

Prometo solenemente criticar com fundamento. Explicitar tão convincentemente as razões da minha discórdia que converterei os mais crentes. Ser uma hater. Ser uma believer.

Prometo ser fiel ao clássico que inspirou o nome deste blog – escrever a opinião que tens sem saberes e com isso começar O guia das vossas leituras. E audições. E visualizações. Tenho opinião suficiente para filmes, músicas, livros e qualquer outra rebuscada forma de expressão artística alheia.

Próxima Paragem : a pobre vai ao cinema ver o Hobbit dia 17. Os bilhetes já estão comprados para a primeira sessão ao público. Vai ser bom. Mas se não for eu aviso para que ninguém gaste dinheiro em vão.

Entretanto há toda uma Isabel Allende a chamar por mim através da voz de Maya, alguém que até agora não me prende mas deixa curiosa o suficiente para não remeter imediatamente para a pilha do “Era regar com gasolina e jogar um fósforo”.

Até à próxima.