Boyhood – Momentos de Uma Vida

Este filme foi a surpresa do ano para muitos. E eu não fui uma excepção.
A ideia de um filme como resultado de 12 anos de gravações contínuas não me aliciou. Honestamente pareceu-me um investimento demasiado declarado que só iria ser um sucesso graças ao rótulo : 12 anos!

O ponto é que sozinhos, o argumento, as personagens e a equipa técnica, catapultariam este filme para a categoria dos 8/10. Ter uma progressão realista e referências culturais adequadas são um extra.

Vamos começar exactamente pelas referências culturais. São óptimas!
Claro que todos sabemos que em 12 anos de gravações se eles não tivessem escolhido colocar uma cena com o Dragonball ou a Britney Spears seriam uns idiotas. No entanto as referências que ajudaram a identificar cada época do filme são bem introduzidas: servem simultaneamente como utensílio de localização temporal e para prender o espectador à história através da nostalgia.

A história em si é um cliché andante. A concretização do argumento acabou por ser mais dependente dos pulos temporais do que de eventos em si.
Mas são esses mesmos eventos aliados aos pulos que fazem deste filme uma generalidade com potencial de identificação com qualquer pessoa.

As personagens surpreendem-nos e desiludem-nos exactamente como na vida real. Sem que nos apercebamos.
Por vezes damos por nós a pensar que não sabemos como chegámos a determinado ponto da nossa vida, frequentemente penso e oiço “visto de fora isto seria previsível “. O engraçado é que este filme prova exactamente o contrário. Quem está de fora está tão à espera dos desastres como os que estão dentro do ecrã.
Facilmente se poem o dinheiro nas personagens erradas. Tal e qual como na vida.

Acabamos por sentir uma enorme empatia pelo pequeno Mason (que depois já não é tão pequeno) não porque o vemos crescer mas porque sentimos as mesmas desilusões que ele.

Essa personagem é a Wild Card do projecto. Como é que olhando para um puto de 6/7 anos se sabe que Ele é A pessoa para dar a cara e o corpo a uma ideia de génio?
Não me venham com ideias de putos prodígio e essas tretas todas. O que é que o puto do I see dead people anda a fazer da vida?! Ah pois é! Muito talento precoce se perde no caminho. E honestamente a julgar pela primeira hora de filme, o talento inicial não era espectacular e fora do normal.

No fim das contas Ellar Coltrane deu 12 anos da vida dele a fazer uma personagem com um desenvolvimento emocional estupendo.
Se eu acho que ele é bom actor…? Muito sinceramente acho que é um actor regular que concretizou uma oportunidade única. Não posso negar a sensação que tive de que a personalidade do personagem foi sendo moldada de acordo com o desenvolvimento do actor em si.
Esse facto impede-nos de garantir que ele fez uma actuação fora de série. Há sempre a dúvida de que ele não esteve tanto a actuar como a ser ele próprio.

Dentro do elenco não há estrelas cintilantes. Apesar de o filme recolher duas nomeações para os Óscares nas categorias de actores secundários não vos vou mentir, parecem o reconhecimento do empenho de 12 anos.
No entanto não é por isso que deixam de ser representações muito honestas e bonitas. Aliás, são das personagens mais familiares que vi num filme nos últimos tempos.

Não acho que Richard Linklater (que faz de Pai do Mason) tenha uma oportunidade real de ganhar algum prémio. Já Patricia Arquette é outra conversa.
A personagem de Mãe é forte. Fortíssima.
Mas a representação durante 9/10 do filme é absolutamente mediana. E chega à etapa final do filme e numa só cena vemos a explosão estelar de talento de Arquette a brilhar ao lado do culminar das frustações da Mãe. Absolutamente brilhante.
Confesso que passei 2h20min a pensar que os prémios estavam apenas a reconhecer empenho, acabei a pensar que sim, ela vai ganhar um Óscar por talento.

Aliás vai ganhar dois. Porque este é O filme do Ano.
Não só porque tem uma ideia revolucionária com uma concretização óptima.
O nome escolhido para o filme em português adequa-se na perfeição. Conquanto que Boyhood é uma palavra sem tradução para a nossa língua aprecio a destreza dos nossos ao intitular o filme de Momentos de Uma Vida. Honesto.
Apesar de ser visto pelos olhos de um rapaz, essa perspectiva serve apenas como um veículo puro para ver uma representação fiel e nua da Vida.

Não consigo dizer muito mais sem estragar a experiência de antemão. Vejam o filme e partilhem as vossas ideias. Tenho alguma curiosidade em conhecer outras perspectivas!

Aconselho. Muito.

Trailler Legendado:

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1065073/awards?ref_=tt_awd
Pontuação d’Ela: 9/10

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