Boyhood – Momentos de Uma Vida

Este filme foi a surpresa do ano para muitos. E eu não fui uma excepção.
A ideia de um filme como resultado de 12 anos de gravações contínuas não me aliciou. Honestamente pareceu-me um investimento demasiado declarado que só iria ser um sucesso graças ao rótulo : 12 anos!

O ponto é que sozinhos, o argumento, as personagens e a equipa técnica, catapultariam este filme para a categoria dos 8/10. Ter uma progressão realista e referências culturais adequadas são um extra.

Vamos começar exactamente pelas referências culturais. São óptimas!
Claro que todos sabemos que em 12 anos de gravações se eles não tivessem escolhido colocar uma cena com o Dragonball ou a Britney Spears seriam uns idiotas. No entanto as referências que ajudaram a identificar cada época do filme são bem introduzidas: servem simultaneamente como utensílio de localização temporal e para prender o espectador à história através da nostalgia.

A história em si é um cliché andante. A concretização do argumento acabou por ser mais dependente dos pulos temporais do que de eventos em si.
Mas são esses mesmos eventos aliados aos pulos que fazem deste filme uma generalidade com potencial de identificação com qualquer pessoa.

As personagens surpreendem-nos e desiludem-nos exactamente como na vida real. Sem que nos apercebamos.
Por vezes damos por nós a pensar que não sabemos como chegámos a determinado ponto da nossa vida, frequentemente penso e oiço “visto de fora isto seria previsível “. O engraçado é que este filme prova exactamente o contrário. Quem está de fora está tão à espera dos desastres como os que estão dentro do ecrã.
Facilmente se poem o dinheiro nas personagens erradas. Tal e qual como na vida.

Acabamos por sentir uma enorme empatia pelo pequeno Mason (que depois já não é tão pequeno) não porque o vemos crescer mas porque sentimos as mesmas desilusões que ele.

Essa personagem é a Wild Card do projecto. Como é que olhando para um puto de 6/7 anos se sabe que Ele é A pessoa para dar a cara e o corpo a uma ideia de génio?
Não me venham com ideias de putos prodígio e essas tretas todas. O que é que o puto do I see dead people anda a fazer da vida?! Ah pois é! Muito talento precoce se perde no caminho. E honestamente a julgar pela primeira hora de filme, o talento inicial não era espectacular e fora do normal.

No fim das contas Ellar Coltrane deu 12 anos da vida dele a fazer uma personagem com um desenvolvimento emocional estupendo.
Se eu acho que ele é bom actor…? Muito sinceramente acho que é um actor regular que concretizou uma oportunidade única. Não posso negar a sensação que tive de que a personalidade do personagem foi sendo moldada de acordo com o desenvolvimento do actor em si.
Esse facto impede-nos de garantir que ele fez uma actuação fora de série. Há sempre a dúvida de que ele não esteve tanto a actuar como a ser ele próprio.

Dentro do elenco não há estrelas cintilantes. Apesar de o filme recolher duas nomeações para os Óscares nas categorias de actores secundários não vos vou mentir, parecem o reconhecimento do empenho de 12 anos.
No entanto não é por isso que deixam de ser representações muito honestas e bonitas. Aliás, são das personagens mais familiares que vi num filme nos últimos tempos.

Não acho que Richard Linklater (que faz de Pai do Mason) tenha uma oportunidade real de ganhar algum prémio. Já Patricia Arquette é outra conversa.
A personagem de Mãe é forte. Fortíssima.
Mas a representação durante 9/10 do filme é absolutamente mediana. E chega à etapa final do filme e numa só cena vemos a explosão estelar de talento de Arquette a brilhar ao lado do culminar das frustações da Mãe. Absolutamente brilhante.
Confesso que passei 2h20min a pensar que os prémios estavam apenas a reconhecer empenho, acabei a pensar que sim, ela vai ganhar um Óscar por talento.

Aliás vai ganhar dois. Porque este é O filme do Ano.
Não só porque tem uma ideia revolucionária com uma concretização óptima.
O nome escolhido para o filme em português adequa-se na perfeição. Conquanto que Boyhood é uma palavra sem tradução para a nossa língua aprecio a destreza dos nossos ao intitular o filme de Momentos de Uma Vida. Honesto.
Apesar de ser visto pelos olhos de um rapaz, essa perspectiva serve apenas como um veículo puro para ver uma representação fiel e nua da Vida.

Não consigo dizer muito mais sem estragar a experiência de antemão. Vejam o filme e partilhem as vossas ideias. Tenho alguma curiosidade em conhecer outras perspectivas!

Aconselho. Muito.

Trailler Legendado:

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1065073/awards?ref_=tt_awd
Pontuação d’Ela: 9/10

Into the Woods – Caminhos da Floresta

Não há crítica que me tenha custado a sair dos dedos como esta. Mas mesmo. E somente alguma pseudo-integridade literária me impede de me pôr a largar aqui palavrões.

Este filme tinha tudo para ser maravilhoso : é um musical, tem a moça do momento (Anna Kendrick), tem a actriz mais talentosa e experiente de sempre (Meryl Streep), foi produzido por alguém que até sabe fazer filmes musicais (Chicago) e… tem uma componente de excentricidade que resulta sempre bem (Johnny Depp).

Lamento muito mas não é maravilhoso. É uma enorme desilusão.
E daquelas que engana quando recebe uma nomeação para vários óscares com Meryl Streep e Emily Blunt.
Conquanto que consigo compreender as nomeações técnicas, de manequins e mesmo de produção e musicais, não entendo mesmo as nomeações por estas duas senhoras.

São muito talentosas e especialmente Meryl Streep é A potência do Cinema; no entanto não consigo pensar nesta nomeação senão como uma migalhinha de reconhecimento. É de longe a sua pior nomeação para os Óscares e este papel não se enquadra minimamente no nível do corpo de trabalho usual dela.

Nunca esperei dizer isto, mas quem merecia estar nomeada para os Óscares no lugar de Meryl era Carmen Ejogo com a sua prestação em Selma…
Há qualquer coisa nesta versão da Bruxa Má que não resulta. A personalidade frustrada e as tentativas de humor largadas aqui e ali não convencem e acabam por ser um fraco desenvolvimento de uma personagem com imenso potencial.

Into the Woods mistura algumas das mais famosas histórias de encantar que envolvem Florestas, assumidas como a mesma para a coerência do filme. E muito à laia de Maléfica este filme tenta reabilitar a personagem de Bruxa Má. O que não é muito má ideia e até tem uma concretização decente.

O enredo é até minimamente decente dentro do tipo de histórias que se encontram na categoria de Filmes Musicais, e principalmente se equacionarmos que é uma história infantil.

Já a música deixa imenso a desejar. Acaba por ser mesmo a raíz de todo o mal neste filme.
Sou uma apaixonada por cinema musical. Adorei o Smash, chorei a ver os Miseráveis, considero o Chicago uma obra de arte; considerando isso não se pode remeter o meu despeito por este filme para falta de gosto pelo género ou até por falta de hábito.
A verdade é que as músicas não ficam no ouvido. Não são intuitivas, nem emocionantes e tão pouco inspiradoras. As personagens cantam todas muito afinadinhas e gostei muito do tom de voz tanto da Anna Kendrick como da Emily Blunt, no entanto não há emoção!
Quem não se lembra de Anne Hathaway a fazer chorar as pedras da calçada com o desespero com que cantou o I Had a Dream?! O Into the Woods tem 1/100 desse tipo de emoção e entrega.

E que ninguém se entusiasme com a participação de Johnny Depp. Numa aparição de cerca de 10 minutos e 10 frases, a sua versão do Lobo Mau é só mázinha. Boa caracterização e vestimenta, mas de resto…

Um ponto positivo e novo é a referência a dois príncipes encantados. Faz imenso sentido porque senão teria de haver alguma poligamia implícita; no entanto penso que nunca vi nenhuma história infantil com referência a mais do que um príncipe.  Acaba por desmistificar um pouco a ideia fantasiosa de que um príncipe é uma coisa muito única.

Não entra para os favoritos. Aliás, possivelmente entra para a lista de filmes mais desapontantes do ano.
De qualquer maneira vejam…
De qualquer maneira, o que é que eu percebo disto?

Trailler Legendado:

Link  IMDB: http://www.imdb.com/title/tt2180411/?ref_=nv_sr_1
Pontuação d’Ela: 5/10

O Grande Hotel Budapeste

Há filmes que estão em categorias muito selectas, sendo por norma gostos adquiridos. Os filmes do Wes Anderson são um bom exemplo disso: histórias simples que parecem não lembrar ao diabo, com uma  realização peculiar e parcerias artísticas formidáveis.

Desta vez vemos uma entre Anderson e Ralph Fiennes. E o meu veredicto nisto é: dêem uma de Tarantino e Christoph Waltz e façam uma trilogia.

Que Fiennes é versátil e talentoso já nós sabíamos (2 nomeações para os Óscares onde foi completamente  roubado – O Paciente  Inglês  e A Lista de Schindler). E engraçado também (quem não recorda o “riso” malefício do Voldemort). O que eu não estava à espera era de ver uma personagem que equilibrada tão  bem a compostura com o humor como o Monsieur Gustave.

Conhecemos Gustave H. através da narrativa de um jovem escritor hospedado no Hotel e que a ouviu da boca de Zero Mustafa, o dono de um hotel outrora majestoso e que se encontra na ruína.
E a história  de Gustave H acaba por ser a história do hotel.

No seu auge o último era um antro de glamour e esbanjamento sob o comando do primeiro, o seu gerente. Esta gerência é retratada como um assunto muito sério. No Grande Hotel Budapeste não era aceite nada menos do que a perfeição, e caso fosse necessário o Monsieur Gustave tomava a seu cargo os trabalhos menos  ortodoxos. Como…  Digamos…  “Agradar às velhotas”…

É em virtude  de um dos seus casos com senhoras muito seniores que Gustave H. se mete numa enorme alhada.  Da herança da estimada senhora calha uma parte ao nosso amigo (um quadro famosíssimo) e entra em acção o filho ganancioso e o seu mobster  prontos a remediar esse ponto. Nas entrelinhas vamos também conhecendo a linda história de amor do nosso narrador,  o espirituoso  Zero, com a moça da pastelaria  de açúcar refinado, Ágata.

Recorrendo a um estilo de “desenho animado” e com uma estrutura visual muito organizada somos conduzidos pelo decorrer da narrativa que apesar de simples nos vai mantendo perfeitamente entretidos.

Este filme foi um daqueles que não surpreende ao colectar tantos prémios e ao ser nomeado para nove categorias nos Óscares, tirando a nomeação para Melhor filme do Ano, são todas categorias mais técnicas.
Nesse aspecto só sei mesmo assegurar que sendo um Granda Filme, não é o filme do ano; continua a ser um 2º/3º lugar muito honroso.

A título de curiosidade atrevo-me a dizer que em termos de guarda roupa e caracterização garanto que está óptimo! Se modificou por completo um actor para o papel de Zero até o tornar irreconhecível…? Não. Não está esse tipo de bom, é só um erro de casting no IMDB.

Metam as pipocas no microondas, arranjem o filme e tenham uma sessão de cinema divertida!

Trailler Legendado:

Link IMBD: http://www.imdb.com/title/tt2278388/?ref_=nv_sr_1

Pontuação  d’Ela: 8,5/10

Gone Girl – Em Parte Incerta

Apesar da mestria da adaptação do argumento e direcção temos o Gone Girl com apenas uma nomeação para os Óscares com a Rosamund Pike na categoria de Melhor Actriz Principal (tal como nos Globos de Ouro e nos BAFTA).

Há todo o tipo de informação a flutuar na internet acerca deste filme. Posso dizer que sabia à partida informação que poderia ter estragado a minha experiência.
Só que não dava. Porque é Fincher.
Ah personagem principal é maluca  – Fincher
Há éne reviravoltas  – Classical Fincher
E podíamos estar aqui horas.
Mas temos ambos mais que fazer.

Vamos directos ao ponto chave: Este filme é interessante do princípio ao fim.

Tem um enredo com o mínimo de previsibilidade que nos deixa confortáveis para BAM sermos surpreendidos do nada com reviravoltas brilhantes.
É uma adaptação engenhosa de um Romance que curiosamente ainda é mais interessante (se é possível a doida ainda é mais genial no livro).
Tem uma representação surpreendentemente boa da parte de Rosamund Pike.
Ben Affleck faz de toino como em tantos outros papéis.
David Fincher usa aquelas transições lentas e insiste numa imagem clara para descontrair o espectador e prender a atenção a cada mudança de paradigma.

Acompanhamos inicialmente Ben Affleck (Nick Dunne) numa vidinha angustiante e nada como o que ele desejou: tadinho está muito infeliz porque faz anos de casar e a sua mulher gostosa fá-lo sempre sofrer em caças ao tesouro nas quais fica patente que ele é um enorme atrasado mental.
Durante o primeiro terço do filme ficamos com a sensação de que Rosamund Pike (Amy Dunne) é uma infeliz casada com um chauvinista insensível.
O desaparecimento da sua esposa suscita todo o tipo de dúvidas quanto à relação aparentemente perfeita dos dois. Em paralelo a um churrasco público de Nick Dunne, o próprio tenta resolver a caça ao tesouro que a Amy lhe tinha deixado.
E tchanan… Ela é doida.

Aqui entra Rosamund Pike no seu melhor a conduzir o espectador numa montanha russa de sentimentos. É impossível não admirar o engenho por detrás do plano de Amy e Nick… Que eu não vou referir para não estragar a experiência a ninguém.
É também nesta zona do filme que se vêem maiores descrepâncias em relação ao livro de Gillian Flynn : o momento em que ela se solta e dispara num monólogo está suficientemente aproximado do filme, mas não mostra o “let go” drástico que é descrito no mesmo.
Uma mulher jeitosa a beber coca-cola, comer porcaria e a arrotar não é propriamente o ponto que ela tentava explicitar. Suponho que seja o suficiente para chocar a audiência : Oh! Hidratos!? Refrigerantes? Que Loouca…

Admito que é tendencioso da minha parte transmitir a ideia de que o filme é todo sobre ela ser Maluquinha. Mas honestamente o fru-fru que se gerou em volta deste aspecto do filme é perfeitamente justificado, derivando principalmente deste aspecto.

É refrescante ver um filme que não tem medo de retratar um outro ângulo de relações abusivas. Após tantos anos em que a violência nas relações era uma constante, entrou-se numa época em que ninguém se atreve a pôr em causa uma sugestão de violência doméstica.
Havia efectivamente necessidade de chamar a atenção para a exploração que é feita por algumas mulheres desta fragilidade social em proveito próprio. E à medida que o filme foi sendo divulgado surgiram relatos e relatos que indicam que este ângulo até passa por prática comum.
Chego à conclusão de que alguma mulheres pensam que para não serem rebaixadas têm de se elevar por subjugação das outras pessoas. É um bocado uma aplicação errada do “Chama-lhes, chama-lhes antes que te chamem a ti!”

As mulheres merecem respeito. Vindo dos homens. E também vindo das mulheres.
Não se expondo como um filme com interesses equalitaristas, este filme acaba por sê-lo. Por entre um argumento perfeito e uma representação brilhante de Rosamund Pike considero o Gone Girl uma das obras mais importantes para o equalitarismo da actualidade. Há que combater os estereótipos da sociedade patriarcal; mas não será também o momento de combater os estereótipos extremos e desajustados que passam por feminimo?

Vejam o filme. E depois fiquem como eu… A querer contar a história a toda a gente!

Trailler Legendado:

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt2267998/?ref_=fn_al_tt_1
Pontuação d’Ela:8,5/10

Whiplash – Nos Limites

Boa Noite meus senhores, estreamos finalmente a nossa categoria de 9/10.
Aparentemente tinha os comentários indisponíveis (pelo que peço imensa desculpa) e chegaram-me algumas mensagens com críticas relevantes sendo uma delas “O que é o meu 10/10?
Com base nisto escolhi fazer hoje uma crítica a um dos filmes que considero um dos melhores presentes nestes Óscares de 2015.

Porquê?
Simples. Porque alcança.
O tipo de falhas que se pode apontar neste filme é do género “Ah a miúda do Miles Teller tem cara de enjoada”. O que nem sequer é uma crítica construtiva!

Por falar em Miles Teller, comecemos por ele.
Estão a ver a Anna Kendrick? Que passou de ser a amiga pirosa da Kristen Stewart no Crepúsculo para fazer uns 4/5 filmes por ano ? Miles Teller é a versão masculina da Anna Kendrick… De um momento para o outro ficou “Na Berra”.
Ele é comédias românticas, dramas adolescentes, e agora ele é o actor principal de um Granda Filme.

Deste lado temos pena de não ter sido reconhecido como um grande actor por nenhum dos principais prémios. Não seria uma vitória, mas seria simpático para incentivar o jovem.
A sua personagem é Andrew (sem necessidade de apelido), um jovem baterista talentoso que ambiciona a excelência e que é reconhecido pelo seu potencial por Fletcher (também sem apelido ou nome) que nos é apresentado como Maestro Top no mundo do Jazz.
E o Andrew entra na banda de Jazz do Fletcher para se tornar um Homem. Leva porrada física, leva porrada psicológica, pira do juízinho e termina o filme em grande a sair por cima, tanto que chega às estrelas.
Este filme ganhava só com a prestação do Miles Teller na parte da porrada psicológica. Há estaladas na cara, bolhas que sangram das mãos, cadeiras que voam… E mesmo assim o que brilha é ver o desenvolvimento psicológico da personagem de Andrew. Contar muito mais é spoilar o filme.

Do outro lado da moeda está Fletcher, quem dá a porrada (ambas).
É um sacana. Não há uma maneira simpática de colocar esta questão.
É J. K. Simmons quem dá a vida a Fletcher. E sem rodeios, é J. K. Simmons quem vai levar o Óscar de Melhor Actor num Papel Secundário. O que é um promenor engraçado, Simmons é tão actor secundário como Carell em Foxcatcher… Gostava de conseguir encontrar os parâmetros de escolha para actor principal e secundário.

Vou então utilizar o Foxcatcher para poder fazer uma das possíveiss justificações quanto ao 9/10. Recordo que no Foxcatcher houve uma certa confusão e falha da parte da compreensão no que tocou aos motivos por detrás quer da dependência do abusado como à necessidade de poder do abusador. Numa história surpreendentemente semelhante quanto a abuso psicológico e à relação mentor/mentorando Whiplash dá aquele pulinho que faltou ao outro filme.
O abuso psicológico está patente e completamente às claras; mas desenvolve-se naturalmente, com espaço para o crescimento das personagens e com uma sequência de eventos lógica.
Como num bom filme, há um massacre mas segue-se uma vitória e uma redenção.

É uma emoção do início ao fim. A opinião do espectador acerca das personagens oscila com frequência. O ritmo do filme é entusiasmante e prende a atenção. A música… Quase não consigo explicar a música. Em termos de edição de som e banda sonora melhor ou equiparável penso que só o Interstelar.

A única razão pela qual não vos direcciono para o cinema neste momento é mesmo o facto de não estar em exibição.

Trailler Legendado: 


Link IMDB: www.imdb.com/title/tt2582802/?ref_=nv_sr_1
Pontuação d’Ela: 9/10

A Teoria de Tudo

Este filme é absolutamente amoroso.
Principalmente porque Eddie Redmayne e Felicity Jones são duas pessoas muito mimosas e fizeram um óptimo trabalho a retratar Stephen e Jane Hawking; mas também porque o argumento se foca no primeiro casamento do cientista excluindo a época de desgaste e do seu segundo casamento.

Esta escolha foi feita por respeito ao próprio Stephen Hawking que sempre insistiu em negar as polémicas associadas ao seu segundo casamento e que criou discórdia entre o mesmo e os filhos e Jane.

Acompanhamos Stephen e Jane a apaixonarem-se e em simultâneo a aprenderem a lidar com a progressão da doença incapacitante de Stephen. É uma viagem que nos faz admirar a determinação de ferro que foi necessária para desafiar um diagnóstico de poucos anos e transformar uma vida limitada num sucesso médico e de realização pessoal.

E das maravilhas que Eddie Redmayne faz a desempenhar este papel já todos ouvimos falar. Realmente não há muito a acrescentar. É um papel brilhante.
Está garantido que a juntar aos vários prémios que já ganhou esta temporada vai juntar um Óscar.

O mesmo não se pode dizer de Felicity Jones. Não pelo facto de fazer um papel muito inferior mas porque como referimo o Óscar de Melhor Actriz vai direitinho para Julianne Moore. E caso não fosse o caso, haveria ainda Reese Witherspoon… O que é conversa para outras críticas.
Mas independentemente de prémios, o papel de Jane Hawking está muito bem representado. Tanto que atrever-me-ia a dizer que a distribuição do foco do filme está ligeiramente desequilibrada a tender para esta personagem feminina.

Foram feitas poucas referências, de todas as críticas que li, a um ponto que considero que é bastante importante: reconhecer à actriz a capacidade de transmitir o sofrimento que deve ter sido abrir mão dos próprios sonhos e pôr a vida em espera  sem se tornar uma mártir ou egoísta.
O ar angelical e compreensivo de Felicity faz-nos ter quase mais pena de Jane do que de Stephen. Sentindo uma enorme admiração por alguém que consegue sujeitar-se a depender totalmente de alguém sendo tão genial, é impossível não admirar também alguém que tem uma determinação tão grande em realizar os sonhos daquele que ama.

É nesta óptica que a personagem de Jane rouba o protagonismo de Stephen Hawking. Ver uma referência explícita de que as descobertas científicas são maioritariamente trabalho duro e de equipa é refrescante.

Estranho é ver também semi explícito o acordo que a Jane e o Stephen fizeram acerca dela encontrar alguém que pudesse fazer a transição natural e preencher o papel dele quando morresse. Sim, é um ponto de conhecimento público e não é apresentado como uma vergonha no filme, mas é um conceito bastante estranho.

Essa personagem inspira zero empatia. É um intruso numa relação que passamos cerca de uma hora a conhecer e admirar; entra em cena para precipitar algo que sabemos de antemão que vai acontecer. De alguma forma somos presos ao ecrã e tornamo-nos apoiantes das personagens principais de tal forma que criamos asco a Jonhatan (o músico que se torna companheiro de Jane) e Elaine (a enfermeira de Stephen).

A história não é brilhante. Inspiradora, mas um pouco básica. Apesar de ser um filme bastante interessante e com óptimas prestações e uma entrega nada menos que perfeita da parte de Eddie Redmayne não vou achar justo se houver um Óscar para melhor argumento adaptado.
Quanto a filme do Ano, há todo um Boyhood que levou 10 anos a fazer.

Se é um filme para se ir ver ao cinema? Não vou dizer que é um filme com uma imagem de tirar a respiração, mas certamente que vão querer saber daquilo de que todos andaram a falar.
A quem vir o filme… Digam-me se vêem o momento Mente Brilhante no início… É um miminho para os conhecedores de cinema!

Trailler Legendado

Link IMDB: www.imdb.com/title/tt2980516/?ref_=nv_sr_2
Pontuação d’Ela: 8/10

Foxcatcher – Uma História que chocou o Mundo

Não gostei. Mas mesmo nada.
Em parte porque senti uma ligeira desilusão quanto ao traumatismo implícito no trailler – apesar de cair na categoria de Drama Psicológico não tem metade do desenvolvimento Psicológico que eu esperava; por outro lado essa falha deriva provavelmente da falta de desenvolvimento, ponto.

Senti uma necessidade enorme de pesquisar a história que inspirou o filme e cheguei à conclusão de que está tudo muito mal contado.

Ora a história foca-se em dois irmãos lutadores que são campeões olímpicos. Do nada um milionário excênctrico, Jonh E. Du Pont (Steve Carell), com claros problemas mentais decide interessar-se na Luta Livre e investir num dos irmãos, o Mark Schultz (Channing Tatum). A falta de explicação do porquê até nem é o maior dos problemas.
Claramente Du Pont é um homem com uma necessidade imensa de idolatração e de aprovação, não se importando de gastar dinheiro para comprar algo ou alguém que complete essas falhas.
Já Mark Schultz é a personificação de um trogolodita: fala pouco, é bruto, invertido, vive à sombra do irmão mais velho e tem a aparência de um Neandertal; à primeira vista é o tipo de pessoa que Salta quando lhe dizem para saltar.

Não me posso queixar de unidimensionalidade neste aspecto.

As personagens desenvolvem-se e Mark deixa de ser um simples trogolodita. Compreendemos que é o fruto de uma educação pobre em afectos e intelecto, mas isso não altera o facto de ser uma personagem que tem dificuldade em exprimir-se que se tenta evidenciar e deixar a sua marca com a única coisa que parece saber fazer – Luta Livre – reforçando a sua brutalidade aparente.

Du Pont vai-se revelando um sério caso de outro tipo de alteração mental. Força todos à sua volta a um amor ao próprio de uma maneira doentia. A dada altura vemos mesmo que financia um torneio de Luta Livre onde participa e (surpresa) ganha. A ideia de que foi uma luta encenada não está implícita, é explicitada multiplamente : primeiro na falta de resistência do adversário, na maneira gozona como a equipa o saúda, e finalmente nas palavras da própria mãezinha Du Pont “Foi financiado por ti?”.
Claro que isto não o  desmotiva.
Este homem revela-se uma tentativa frustada de trendsetter : faz campanhas de auto-propaganda, força a ideia de que é a “Águia Dourada”, financia a equipa de Luta Livre Norte Americana para colectar os troféus da mesma e recolher os louros de um treino que não é ele que faz. O filme reforça o ridículo que foi a vida de Du Pont. Só não desenvolve as razões do porquê.

Jonh que desenvolveu (naquilo que nos é apresentado como “do nada”) um interesse profundo pela Luta Livre a dada altura estraga as perspectivas do Talento que escolheu – Mark – e recorre ao irmão – Dave Schultz (Mark Ruffalo) – para garantir que continua a ter hipóteses de retorno de vitória nos Jogos Olímpicos.

Dave não é uma personagem introduzida a meio do filme. No entanto até ao momento de quebra do irmão não há um envolvimento muito grande desta personagem. Ele passa de ser retratado como o Mal dos problemas de Mark para a ser a Salvação de Dave quando o Mal passa a ser Du Pont.
E este Dave é também ele uma personagem que tentando garantir o sucesso do irmão se mostra extremamente egoísta e sem problemas em “vender a alma ao Diabo” por dinheiro.

A formação da equipa FoxCatcher parece ser uma completa invenção no momento. Para contrariar a mãezinha que não acredita nas suas capacidades, Du Pont cria um centro de treinos para a equipa de Luta Livre dos USA e esconde-se na permissa “Estou a salvar a América”… Do quê não compreendo bem.

O foco do argumento é a equipa Foxcatcher e  relação probemática entre Jonh Du Pont e Mark Schultz. Pessoalmente não gostando de argumentos em que a psicologia está “mastigada” gosto de perceber o que se passa; não foi o caso. Teria sido bastante mais interessante abordar o assunto doutra perspectiva.

No entanto este tipo de abordagem é típica deste Realizador. Posso ver algumas nuances de semelhança com Capote, apesar de o último ser bastante melhor conseguido.

Apesar de tudo consigo encaixar este filme na categoria dos 8/10. Aquilo que a mim não me convence acaba por ser uma interpretação pessoal, não há falhas de maior da parte técnica. Penso que o facto de ainda não ter colectado prémios prova que há algo neste filme que o prende a Bom, não o deixando chegar a Brilhante.

O filme foi nomeado para os mais variados prémios principalmente pelas prestações de actor principal (Steve Carell) e secundário (Mark Rufallo); neste aspecto há que reconhecer que efectivamente há uma metamorfose brutal dos três actores envolvidos – começando no trabalho fantástico de caracterização, esta mudança de personagem evidencia o imenso investimento e o quão multifacetados são Channing Tatum, Mark Rufallo e Steve Carell.

Recomendo. Mais que não seja para ver se alguém me explica o que me falhou…

Trailler Legendado:

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1100089/?ref_=nv_sr_1
Pontuação d’Ela: 8/10