Estreia : The Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos.

Tinha referido que ia ver o The Hobbit. E fui.

O mundo acaba por se dividir entre pessoas que investem tempo/dinheiro no que gostam e pessoas que não o fazem. Eu sou daquelas pessoas que se compromete com o que gosta: apesar de ter escrito apenas 2 livros muito bons numa saga de 8, Sandra Carvalho sabe que pode contar comigo para comprar os livros que escreve; estou sempre à espera que o próximo sejam um dos livros da minha vida – sei que tem potencialidade para isso e arrisco. Já a combinação Tolkien/Jackson tem não apenas um punhado de palermas, tem uma legião de obcecados. O que é óptimo para os bolsos de Peter Jackson: ele ganha dinheiro e os fãs recebem mais uma dose.

As drogas pesadas são frequentemente retratadas como casos em que a dada altura o viciado sabe que não vai ser assim tão bom quando esperava, toma na mesma, é bom no momento e depois em retrospectiva afinal não havia necessidade.
Assim foi a triologia The Hobbit. Fantástica de ver no Cinema. Uma emoção para os fãs de Tolkien. No fundo no fundo desnecessária.

Quem viu os dois primeiros filmes seguramente que se apercebeu de que foi um grande choque que Peter Jackson tivesse decidido fazer 3 filmes a partir de um livro de crianças. Say whaat? O que é que ele ia inventar?
Afinal foi o Hobbit + Outras Obras. Ufa! Parece que nos livrámos de 8h de “encher chouriços”. Não nos livrámos de ver uma introdução forçada do Legolas.

Então, o que esperar do último filme?
Magia.

Lado muito mau: o filme é todo previsível. Não há um momento inesperado.
O que é compreensível visto ser uma prequela. Toda a gente sabe que o Gandalf não vai morrer. Toda a gente sabe que o Sauron é mesmo mau. Idem para o Saruman.
Piores spoilers que o Senhor dos Anéis para o Hobbit 3? Só mesmo a Guerra das Estrelas 4 em relação ao 3.

Lado só mau: andam o filme anterior inteiro a construir um momento climático com o dragão mas depois “era só jajão”. Mais valia terem acabado com o assunto no segundo filme.

Lado bonzinho: novamente as paisagens, o guarda roupa, a personalidade quente e amigável das personagens.
É efectivamente um filme com uma imagem fantástica. Que dispensa facilmente a utilização de 3D. Vi com e sem 3D e consigo atestar que a presença do mesmo acaba por ser impeditiva da apreensão da fotografia do filme. É como se tivessemos uma impressão no olho – não mata mas incomoda.
Já o som… Aconselho vivamente quem puder a ir experimentar o filme no @Cinema. A tecnologia de som 3D Dolbi Atmos é um mimo. E eu não digo mimo muitas vezes.
E dêem um Oscar ao pessoal da maquilhagem/guarda-roupa. Querem saber porquê? Pesquisem o Thorin no IMDB e depois no google. E esta é uma das caracterizações menos rebuscadas.
Não dêem é um Oscar ao elenco. Familiar e amoroso (quero dizer, aqueles anões!) conta com muita estrela, muito talento, mas não oferece uma prestação estrondosa.

Lado muito Bom: a coordenação daquela batalha.
Um petisco para quem gosta de acção, um enfado para quem gosta mais de desenvolvimento na história. Resumidamente a razão pela qual muitos puseram este filme ao nível de O Regresso do Rei.
Divertíssimo de ver. Não fofo e engraçado como a cena com os barris no rio dos anões. Mas emocionante como só uma cena onde anões “cavalgam” porquinhos contra orcs em elefantes pode ser.
Difícil foi perceber quais eram os Cinco Exércitos. A permissa inicial apontava para uma divisão por raças. Afinal não. Se tiverem dificuldade em contar cinco raças naquela batalha não desesperem: os orcs contribuem a dobrar!

Numa perspectiva global foi um bom fecho para esta triologia, foi um aprofundar da nossa perspectiva da Terra Média digno do que foi feito no Senhor dos Anéis.
No fundo no fundo foi uma carta de amor de Peter Jackson para Tolkien.
Num universo alternativo o francise do Senhor dos Anéis é adaptado por outro realizador : não é um blockbuster, não passa do primeiro, não honra o potencial da obra. Porque só a paixão deste realizador para conseguir elevar algo bom ao ponto do Fantástico.

Trailler Legendado:

Link IMDB : http://www.imdb.com/title/tt2310332/?ref_=nv_sr_1
Pontuação d’Ela : 7,5/10

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Bora lá. Vamos fazer um blog.

São duas da manhã. Está frio e só sabe bem é estar na cama. Há frio mas não há sono.

A conversa desta noite foi blogs. Blogs de críticas. Daquelas que eu passo o dia a distribuir gratuitamente. Daquelas que aparentemente fazem alguns amantes da leitura ganhar livros tão gratuitos como os conselhos que eu ofereço a toda e qualquer pessoa que ouse olhar para mim.

“Eu podia fazer isso” pensei no caminho para casa. Eu, a pessoa que não tem tempo para ir ao ginásio mas que compromete as horas de sono diárias recomendadas para chegar à última página do epílogo. Eu, a pessoa que se escapa uma vez por semana para a Fnac e lê um livro de fio a pavio espremida entre outros dois perfeitos estranhos. Eu.

Peso os prós. Peso os contras. Bora lá. Vamos fazer um blog.

Prometo solenemente criticar com fundamento. Explicitar tão convincentemente as razões da minha discórdia que converterei os mais crentes. Ser uma hater. Ser uma believer.

Prometo ser fiel ao clássico que inspirou o nome deste blog – escrever a opinião que tens sem saberes e com isso começar O guia das vossas leituras. E audições. E visualizações. Tenho opinião suficiente para filmes, músicas, livros e qualquer outra rebuscada forma de expressão artística alheia.

Próxima Paragem : a pobre vai ao cinema ver o Hobbit dia 17. Os bilhetes já estão comprados para a primeira sessão ao público. Vai ser bom. Mas se não for eu aviso para que ninguém gaste dinheiro em vão.

Entretanto há toda uma Isabel Allende a chamar por mim através da voz de Maya, alguém que até agora não me prende mas deixa curiosa o suficiente para não remeter imediatamente para a pilha do “Era regar com gasolina e jogar um fósforo”.

Até à próxima.